sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Sentidos

Venha, dê a sua mão. Olha que não é todo dia que faço convite assim, não é para qualquer um. Mas esse seu jeito de homem, esse seu sorriso de menino, mas essa sua presença assim tão forte na minha vida. Mas.

Escute, eu já não tenho tantas palavras, já esbarro no limiar onde não são mais possíveis. Tento tecer um texto, e só consigo encontrar sentidos desconexos - luz, encantamento, melodia, chuva. Não há frase concatenada que resuma o que vai dentro de mim.

Veja que nos meus olhos há apenas os seus olhos, e o que vejo fica sempre marcado de você. As suas cores permeiam o meu mundo, a cor do sol é a cor dos seus olhos, a sua risada é da cor do vento.

Venha, toque os meus dedos. Sinta que a minha pele reconhece o seu toque, como a pele da primeira mulher reconheceu o toque do primeiro homem. Porque ela o sabia seu, porque ela sabia que o mistério da sua existência se desvendaria naquele outro. O seu toque me enche de mim mesma, e do que de pressinto de mim em você, como um diamante de tantas facetas.

Deixe que o seu cheiro anuncie a sua chegada, antes que eu possa ver, ouvir, tocar. Deixe que cheiro e sabor se mesclem na minha boca, enquanto provo do que não posso compreender. Você e eu somos antigos, é por isso que não servem as palavras.

Lembra que eu não sabia o que queria? Lembra que eu não sabia o que fazer com o girassol que você plantou na minha vida? Você encheu a minha vida de certezas, encheu a minha alma de caminhos a percorrer - novos e ensolarados. A sua presença move os meus sentidos.

Ainda não sei tudo o que quero. Ainda não sei qual caminho escolher. Mas quero que você venha comigo.