quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

E la nave va... (título-clichê do dia)

Fui ontem a um churrasco na casa de uma amiga de infância. Casa que frequento desde que foi construída, quando eu tinha aí os meus 11, 12 anos. Além de mim, estava também a outra amiga de infância que completa o trio. Sentamos à beira da piscina e da churrasqueira com o dono da casa, e ficamos de prosa até escurecer.

O lado mais interessante de ter amigos de infância é ter pessoas para lembrarem de como éramos há muito tempo, e como mudamos, e também poder observar nelas o mesmo. Mais do que família, são os amigos que nos mostram o passar do tempo.

E são os amigos que evocam as lembranças. O cachorro que eu conheci filhote, que fazia festa para mim, e morreu no ano passado. Os outros tantos churrascos, ao som de Paralamas, Engenheiros, Kid Abelha e Djavan (sim, Djavan - sempre toca, nunca entendo o porquê). As histórias das brigas, dos acidentes, das bagunças. Os rolos, términos, paixões platônicas, namoros curtos e longos. Os problemas de família, irmãos, pais, brigas. Tudo aquilo que nos levou a ser quem somos, hoje.

Nesse momento de crescer e romper com o que ainda me segura, de sair pro mar em busca da ilha desconhecida, encontros assim são especialmente importantes. São eles que dizem que minhas escolhas me levam para frente, mas não me roubam o que já vivi. Soltar as amarras não significa perder o passado, mas aprender com ele e seguir.

Reli "O Conto da Ilha Desconhecida", aliás, esses dias. Junto com "O Velho e o Mar", é um dos meus livros favoritos. E é com certeza simbólico que sejam ambos livros sobre a relação dos homens com o mar, e sobre ir em busca de sonhos, lutar para conquistá-los. Apesar da náusea, apesar do medo, vou.

Pensei em fazer um post cheio de notícias, mas vejo que parte do processo tem sido aprender a calar. O último post, antes desse, foi o centésimo do blog, e não é à toa que foi seguido por um longo hiato. Estou guardando para mim o que ainda é projeto e começo, e me preservando. Vai também chegar o momento de falar.

4 comentários:

Flá disse...

Que um vento bom te leve... pra perto, longe ou só pra sair do lugar mesmo.

Deborah Leão disse...

Obrigada, Flá! O projeto é exatamente esse, mesmo... Não importa pra onde.

Ventania disse...

Você tá certa, crescer não significa romper com o passado. Eu rompi, coloquei meu passado numa prateleira, evitava pessoas que conhecia, sumi, parei de dar notícias. Virei quase folclore...rs
Hoje isso me custa. Nem que eu quisesse teria uma beira de piscina e 2 amigas para falar de coisas legais que aconteceram até anoitecer.
Bjok, be happy. Desirée

ps.: você ficou de mandar dicas de caminhada e corrida prá mim, lembra?

J@de disse...

Tenho uma amiga de infância com uma memória muito melhor que a minha, com quem tenho esses momentos!
E relembrando é que crescemos, muita luz na sua busca!!
Beijos!!