terça-feira, 23 de setembro de 2008

Rotina

Chega um momento em que a rotina se instala. Comodamente, ocupa o sofá e coloca os pés sobre a mesinha de centro. Não é uma visitante indesejada, ainda mais no caso de alguém que gosta de previsibilidade e estabilidade. Eu gosto da rotina.

O problema é o que ela vai se tornando.

Ela é a desculpa para a falta de notícias - "nada de novo, só a rotina de sempre"; para os desencontros - "ah, rotina atarefada, não pude ir encontrar vocês aquele dia"; para os esquecimentos - "no meio dessa rotina doida, acabei esquecendo seu aniversário!".

Em nome da rotina, o assunto vai rareando, as idéias se vão perdendo, as amizades se enfraquecem, e até o amor pode perder o brilho. É perigosa, a diaba. Paradoxalmente, ameaça exatamente a estabilidade que, em teoria, preserva.

Ou talvez não seja a rotina, mas o acomodamento. Talvez se coloque a culpa na rotina, sem que ela, coitada, tenha qualquer culpa no cartório. A rotina é só a repetição da seqüência de algumas atividades básicas - trabalhar, estudar, comer, fazer exercício, respirar, dirigir, subir de elevador. Mas se o tédio se instala na realização dessas tarefas, e nos interstícios, o que tem a rotina a ver com isso?

O que estraga não é a rotina, é a mesmice.

3 comentários:

F. Gomes disse...

Ôxe, quebremos a rotina imediatamente, então! Não está vendo mesmo que isso não é coisa que se admita? E com a quebra da rotina, que se estraçalhe igualmente a mesmice, com mais razão ainda.
Este decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Sara Favinha disse...

Concordo amiga, é o comodismo o perigo.. bom, eu não estou tendo tempo de me acomodar com nada... hahaha tô até que querendo um desses de vez em quando..

Ventania disse...

a rotina assassina qualquer momento criativo... odeio a rotina. prá mim rotina é a mesmice, não consigo separar. bjok que minha bateria vai acabar! rsrs