
Mamãe já tinha ido lá com meus avós, ano passado, e queria me levar, também. Obviamente, eu queria muito conhecer, e o feriado pareceu a ocasião adequada.
Triste engano. Pegamos uma estrada lotada, chegamos lá e mal tinha lugar para estacionar, fomos almoçar e participamos daquela terrível cena da fila do buffet com prato na mão e pessoas se empurrando. Havia filas para entrar em várias instalações, e uma multidão se espalhando por todos os lugares. Parecia a Disney.
Seria interessante pensar nisso como um fenômeno de democratização da arte, de aproximação das pessoas com a linguagem artística contemporânea. Teoricamente, deveria ser algo a ser celebrado - multidões aproveitando o feriado para visitar um museu.
A sensação, porém, não é bem essa. O que me parecia, o tempo todo, era que estávamos num lugar da moda - como um shopping ou um parque - e que as pessoas estavam ali mais para ver e ser vistas, e depois dizer "Inhotim? Ah, já fui!" do que para efetivamente participar da experiência da arte.
A maior parte fazia visitas-relâmpago às instalações, em geral com aquela cara de "E ainda têm coragem de chamar isso de arte!", e saiam correndo para ir tomar uma coca-cola, ou sentar num banco e olhar os patos. Nada contra olhar os patos. Mas, para isso, basta ir ao Parque Municipal...
O que se percebia, em geral, não era uma democratização da arte, mas uma transformação da arte em shopping center, em vitrine para ser observada e esquecida. Havia placas em cada instalação explicando do que se tratava, mas quase ninguém lia. Olhavam, achavam feio/bonito/ridículo/nojento/divertido, e pronto, vamos para a próxima montanha-russa, para o próximo carrossel.
O museu é um lugar lindo e agradável? Sim, com certeza. É uma boa coisa a democratização da arte? Também penso que sim. Mas arte não é simples adorno (embora um adorno possa vir a ser arte), visitar uma galeria não é como ver a decoração de Natal do shopping. E o que senti em Inhotim, hoje, foi que a maior parte das pessoas passa incólume por aquilo que a arte pretende transmitir. Além, é claro, do fato de que a educação e a gentileza do brasileiro médio são vergonhosas. Gente falando alto dentro das galerias, bloqueando as trilhas para tirar fotos cheias de caras e bocas, e todas as maravilhas do gênero.
Quero voltar a Inhotim. Mas sem as massas, por favor...

A sensação, porém, não é bem essa. O que me parecia, o tempo todo, era que estávamos num lugar da moda - como um shopping ou um parque - e que as pessoas estavam ali mais para ver e ser vistas, e depois dizer "Inhotim? Ah, já fui!" do que para efetivamente participar da experiência da arte.
A maior parte fazia visitas-relâmpago às instalações, em geral com aquela cara de "E ainda têm coragem de chamar isso de arte!", e saiam correndo para ir tomar uma coca-cola, ou sentar num banco e olhar os patos. Nada contra olhar os patos. Mas, para isso, basta ir ao Parque Municipal...
O que se percebia, em geral, não era uma democratização da arte, mas uma transformação da arte em shopping center, em vitrine para ser observada e esquecida. Havia placas em cada instalação explicando do que se tratava, mas quase ninguém lia. Olhavam, achavam feio/bonito/ridículo/nojento/divertido, e pronto, vamos para a próxima montanha-russa, para o próximo carrossel.
O museu é um lugar lindo e agradável? Sim, com certeza. É uma boa coisa a democratização da arte? Também penso que sim. Mas arte não é simples adorno (embora um adorno possa vir a ser arte), visitar uma galeria não é como ver a decoração de Natal do shopping. E o que senti em Inhotim, hoje, foi que a maior parte das pessoas passa incólume por aquilo que a arte pretende transmitir. Além, é claro, do fato de que a educação e a gentileza do brasileiro médio são vergonhosas. Gente falando alto dentro das galerias, bloqueando as trilhas para tirar fotos cheias de caras e bocas, e todas as maravilhas do gênero.
Quero voltar a Inhotim. Mas sem as massas, por favor...
2 comentários:
Como sei o que é isso... já vi tanto isso, na exposiçao de Rodin em Sao Paulo, as pessoas iam só por causa da fila... e aqui na Espanha nao é diferente, as pessoas vao às exposiçoes especiais do Prado e do Reina Sofia só para falar que foram. Outro dia vi na TV uma fila enorme no Prado só porque era dia internacional dos museus, e era de graça...mas eu duvido que a maioria ali estava mesmo interessada em ver Goya ou qualquer outra coisa.
Nossa... ia conhecer Inhotim exatamente no feriado. Escapei!
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