quinta-feira, 19 de junho de 2008

Humores

Em geral se fala sobre o humor de um jeito maniqueísta: há o bom e o mau humor.

Bom humor é aquele de quem acorda sorrindo, faz um café e se entusiasma com o cheiro que invade a casa, dá bom-dia para todos os que cruzam seu caminho, dirige ouvindo alguma música ótima e cantarolando enquanto ignora o trânsito, e se mantém assim, sorridente, ao longo de todo o dia.

Mau humor é o de quem tem a nuvem cinza em cima da cabeça, acorda resmungando, reclama que o café está frio, xinga todos os outros motoristas na hora do rush, responde rispidamente quem ousa dirigir-lhe a palavra, e, em geral, vive insatisfeito e de cara fechada.

A conclusão óbvia é que esses dois extremos não existem, o que me faz pensar que talvez não devesse também haver a divisão entre bom e mau humor. Porque o humor da média dos seres humanos não é assim tão preto no branco, e está mais em alguma das matizes de cinza.

Há dias em que se acorda desanimado, apesar do céu azul e do sol, mas um banho levanta a moral, e o trânsito não está ruim, mas também não está bom. Toca uma música boa de cantar no rádio, depois só algumas completamente indiferentes, e aí toca aquela de fazer chorar sempre. Bom-dia para a vizinha que sempre está de cara boa, e nada para o vizinho de quem nem se sabe o nome. E uma certa sobrancelha franzida para o que costuma deixar a música alta até tarde nas quintas-feiras. Um sorriso para um telefonema muito esperado, uma careta para um problema de última hora.

A vida em geral segue assim, e fica difícil dizer se o que se sente é bom ou mau humor. Talvez fosse melhor classificar o humor em cores, embora já se pressinta que haveria alguma dificuldade masculina com o humor cor-de-rosa, que possivelmente se tornaria o favorito de certa classe de donzelas. Ou ainda, classificar o humor como se classifica o tempo: nublado com pancadas de chuva, céu claro com poucas nuvens, tempestade. Ou qualquer outra classificação que permitisse demonstrar toda a gama de humores, e sua altíssima variabilidade no tempo.

E tudo isso só pra dizer que hoje, contrariando o inverno que se aproxima, o dia foi quente e de sol, sem nuvens, e que por mais que eu goste de frio e chuva, devo admitir que correspondeu bastante bem ao meu humor...


3 comentários:

F. Gomes disse...

Teu argumento é ótimo, moça linda e inteligente etc, e assim tão bem apresentado quase me convence, mas eu acho que tem, sim, humor "preto" e humor "branco", puros - como tem dias de chuva em que não se vê uma nesga de sol, e dias de sol em que não há nuvem que dê sombra. O que certamente não existe é a permanência indefinida nesses estados, fora as situações patológicas: distimia ou síndrome de poliana. Fora isso, como de resto em tantas outras coisas, estou contigo: no comum dos casos, há tão somente predominância.
A propósito, que humor fantástico esse teu, do dia. Deus que te conserve!

Ventania disse...

É... acredito na clara divisão do humor, preto no branco. Quando você acorda bem humorada, as coisas ficam mais fáceis de levar, inclusive os problemas. Agora, quando você acorda de mau humor, affeeee, até o miado do gato dá vontade de jogá-lo pela janela. Enfim, não acho que há meio do caminho para o humor. Ou é 8 ou 80! rsrs

J@de disse...

Eu sempre me rotulei de mau humorada de manhã, mas ultimamente penso assim como você... porque eu acordo quietinha, sem vontade de conversar, mas no minuto seguinte, tô beijando meu filho que sai prá escola, brincando com as gatas, dando bom dia prá todo mundo na rua...
Meu humor oscila de acordo com as coisas que acontecem...
Beijos!!